Aprovado novo medicamento para o Câncer de Pâncreas

Medicação desenvolvida com a participação do Hospital de Clínicas de Porto Alegre foi aprovada pelo FDA

Um novo medicamento está disponível para pacientes vítimas de um dos mais letais tipos de câncer. O FDA, órgão que controla os medicamentos nos Estados Unidos, aprovou a utilização do MM-398 em câncer de pâncreas. O Onivyde (nome comercial do remédio) teve como base um estudo clínico internacional que incluiu também pacientes do Serviço de Oncologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e será publicado pela revista The Lancet, uma das mais respeitadas no mundo da ciência.

O chefe do Serviço de Oncologia do HCPA e um dos autores da pesquisa, professor Gilberto Schwartsmann, explica que a combinação do novo medicamento com a droga usualmente utilizada duplicou o número de pacientes vivos com o tratamento. “Em um período de 12 semanas, por exemplo, 57% dos pacientes que foram tratados com a nova combinação estavam vivos e apresentavam bons resultados, contra apenas 26% dos que receberam somente o medicamento usado até então”, ressalta. Estes resultados foram ainda melhores no grupo de pacientes que recebeu ao menos 80% da dose planejada do tratamento.

Segundo Schwartsmann, o medicamento explora princípios da nanotecnologia e de técnicas de administração de drogas em lipossomas.“Trata-se de uma atuação mais direcionada, o que permite que quantidades maiores do medicamento possam chegar ao tumor com menor exposição dos demais tecidos. Isto aumenta a eficácia e reduz o risco de efeitos tóxicos”, salienta.

Conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de pâncreas corresponde a 2% dos tumores malignos que atingem a população brasileira, sendo responsável por 4% das mortes por câncer no país. Entre as vítimas fatais internacionalmente conhecidas da doença está o fundador da Apple, Steve Jobs.

Atenção: O remédio deve começar a ser vendido nas próximas semanas nos Estados Unidos, mas no Brasil não há prazo para entrar nas prateleiras, já que a substância ainda não foi encaminhada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

http://www.hcpa.edu.br/content/view/7564/927/